Maracanã

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Maracanã

Uma responsabilidade do tamanho da sua importância histórica.

“Poucos estádios do mundo podem se gabar de serem também um monumento histórico — além de um mero palco esportivo. Com proporções imensas, arquitetura majestosa e grande capacidade, o Estádio Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, é um deles. Localizado no Rio de Janeiro e construído para a Copa do Mundo da FIFA 1950, este gigante já abrigou momentos inesquecíveis da história do futebol brasileiro e mundial”.

Pegamos emprestada da Fifa essa precisa definição do que representa o Maracanã para o futebol, para o Rio, para o Brasil e para o mundo. Poderíamos ter entrevistado praticamente qualquer brasileiro e teríamos versões igualmente ricas. Mas optamos pela oficial.

Ao sermos escalados para a obra do Maracanã, nos veio aquele frio na barriga de quem é chamado pelo técnico para entrar em campo em um momento de decisão, de tudo ou nada.

Em 17 de setembro de 2011, Lauro Jardim, colunista da revista Veja, afirmou que “só um milagre de engenharia para incluir o mais célebre estádio brasileiro (Maracanã) na lista (dos estádios da Copa das Confederações)”. Ele estava certo. Não chegou a ser necessário um milagre mas, sim, algumas soluções nunca antes adotadas para vencer desafios que chegaram a parecer intransponíveis.

Tudo começou com a missão que nos foi dada de desenvolver uma solução alternativa de demolição da cobertura original, que facilitasse a desmontagem e ao mesmo tempo permitisse o andamento da obra.

Quando recebemos a avaliação do estado estrutural da cobertura, nos foi passado que ela apresentava vários trechos com alta corrosão, o que poderia trazer risco ao publico. Além disso, o concreto tinha uma espessura de apenas quatro centímetros, que já não se adequava às normas atuais. Para demolir a marquise, a cobertura original do estádio foi dividida em grandes peças, serradas com discos de diamante finos. Cabos protendidos externos, que corriam o risco de chicotear quando cortados, foram aquecidos antes do corte, para reduzir sua tensão.

Fizemos a verificação do projeto de concreto e, em paralelo, desenvolvemos um estudo para verificar se seria viável partir para estrutura metálica, abandonando o concreto. Quando a Fifa decidiu que o Maracanã seria incluído na relação dos estádios da Copa das Confederações e ficou claro que adotar estrutura metálica em toda a parte nova do estádio seria a única solução capaz de garantir o cumprimento o prazo, já estávamos com o projeto praticamente pronto.

Na demolição da estrutura original, foram geradas mais de 18 mil toneladas de entulho. Recolhemos boa parte desses resíduos e confinamos em uma espécie de “tanque” de concreto, no anel inferior da arquibancada, que serviu não apenas para reduzir o impacto ambiental e os custos do transporte e descarte, mas também como um “amortecedor” para reduzir as vibrações da estrutura. A solução foi considerada inovadora e significativamente mais rápida, simples, leve, econômica e sustentável do que as alternativas que usam amortecedores tradicionais.

FICHA TÉCNICA:

Data da Obra: 2011 / 2012
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Cliente: Consórcio Maracanã Rio 2014 (Odebrecht e Andrade Gutierrez)